Napoleão
Entre os meus galináceos, há vários galos. Um se distingue, o Napoleão. Os demais, já têm sentença pendente de execução, condenados que estão à pena capital.
O Napoleão é o dono-macho de todas as fêmeas; e elas o aceitam como tal. Há dias, um dos condenados corria atrás de uma, louco por se manifestar procriador. Perante aquele ruído, o Napoleão aproximou-se, a corrida parou, o concorrente debandou e a galinha se aninhou e permitiu a galadela ao Napoleão, talvez agradecida por lhe ter evitado uma violação.
Mas o que é curioso é que quando o Napoleão está no exercício das suas funções o casal de gansos se aproxima, esticam o pescoço até junto das cabeças dos galantes e fazem uma algazarra infernal, não sei se aplaudindo ou se verberando a imoralidade do acto feito assim à frente de toda a gente.
Tais atitudes fizeram-me lembrar um caso que presenciei.
Era a década de sessenta e não me lembro bem que ano da faculdade eu frequentava.
Deambulava com o Bernardino pelas ruas da cidade quando, de repente nos lembrámos que o Papa, então Paulo VI, vinha a Fátima. Por isso foi feriado durante dois dias, creio eu. Contámos o dinheiro e de imediato fomos para a saída da cidade, procurando boleia, sem deixarmos quaisquer referências.
E lá chegámos a Fátima, ao fim do dia, não sei bem como.
É evidente que não dormimos; comemos cachorros, tomámos bebidas quentes e por ali andámos deglutindo a noite do melhor modo possível.
Quando o dia começava a aparecer, num local por onde passávamos, uma algazarra enorme; pessoas em círculo manifestavam-se de forma ruidosa, sem dizerem palavra.
Aproximámo-nos. Estiquei o pescoço e, no meio do círculo, um cobertor denunciava que por baixo dele alguém fazia aqueles movimentos naturais do “tira-põe”.
O napoleão que ali estava, talvez surpreendido com o barulho, pôs a cabeça de fora, traçou um olhar rápido sobre a assistência, cobriu-se novamente e continuou a tarefa.
Se agora me perguntarem se o Papa esteve em Fátima nesse dia, sinceramente eu não sou capaz de garantir que sim; mas fiquei com a lembrança daquele cobertor e com a ideia de que era o cumprimento de uma promessa ou a busca de um milagre.
Os demais estariam ali por solidariedade.
O Napoleão é o dono-macho de todas as fêmeas; e elas o aceitam como tal. Há dias, um dos condenados corria atrás de uma, louco por se manifestar procriador. Perante aquele ruído, o Napoleão aproximou-se, a corrida parou, o concorrente debandou e a galinha se aninhou e permitiu a galadela ao Napoleão, talvez agradecida por lhe ter evitado uma violação.
Mas o que é curioso é que quando o Napoleão está no exercício das suas funções o casal de gansos se aproxima, esticam o pescoço até junto das cabeças dos galantes e fazem uma algazarra infernal, não sei se aplaudindo ou se verberando a imoralidade do acto feito assim à frente de toda a gente.
Tais atitudes fizeram-me lembrar um caso que presenciei.
Era a década de sessenta e não me lembro bem que ano da faculdade eu frequentava.
Deambulava com o Bernardino pelas ruas da cidade quando, de repente nos lembrámos que o Papa, então Paulo VI, vinha a Fátima. Por isso foi feriado durante dois dias, creio eu. Contámos o dinheiro e de imediato fomos para a saída da cidade, procurando boleia, sem deixarmos quaisquer referências.
E lá chegámos a Fátima, ao fim do dia, não sei bem como.
É evidente que não dormimos; comemos cachorros, tomámos bebidas quentes e por ali andámos deglutindo a noite do melhor modo possível.
Quando o dia começava a aparecer, num local por onde passávamos, uma algazarra enorme; pessoas em círculo manifestavam-se de forma ruidosa, sem dizerem palavra.
Aproximámo-nos. Estiquei o pescoço e, no meio do círculo, um cobertor denunciava que por baixo dele alguém fazia aqueles movimentos naturais do “tira-põe”.
O napoleão que ali estava, talvez surpreendido com o barulho, pôs a cabeça de fora, traçou um olhar rápido sobre a assistência, cobriu-se novamente e continuou a tarefa.
Se agora me perguntarem se o Papa esteve em Fátima nesse dia, sinceramente eu não sou capaz de garantir que sim; mas fiquei com a lembrança daquele cobertor e com a ideia de que era o cumprimento de uma promessa ou a busca de um milagre.
Os demais estariam ali por solidariedade.

<< Home