quarta-feira, maio 06, 2009

Verso&Universo: -Testemunho de uma vida com história



Manuel Costa Pereira

Testemunho de uma Vida com História



A actividade foi preparada ao longo dos meses de Janeiro e Fevereiro e teve lugar no dia 23 de Março de 2009, às 20.30h no auditório Carolino Ramos: foi estabelecido o contacto com o Senhor Manuel Costa Pereira para saber da sua disponibilidade em participar numa actividade, cujo principal objectivo é mostrar a importância da sua experiência de vida a adultos ligados ao Centro Novas Oportunidades; foram sensibilizados os adultos em processo EFA e RVCC e a restante comunidade para a participação na referida actividade; foi ainda solicitada a colaboração do grupo disciplinar de História na pessoa do professor Tarcísio Maciel, por conhecer o Sr. Manuel Costa Pereira bem como os seus trabalhos escritos na área do Património Cultural.

A sessão teve início às 20:30h, no Auditório da Escola, com a organização de Maria do Céu Costa e Sofia Maciel e apresentação de Tarcísio Maciel e Manuel Costa Pereira. Estiveram presentes alunos do ensino nocturno, formandos dos cursos EFA e professores, num total de 50 pessoas, aos quais foi passado um certificado de presença.

No âmbito da educação de adultos e integrada na filosofia das Novas Oportunidades, o projecto Verso e Universo pretendeu ao convidar o Sr. Manuel Costa Pereira estimular e desenvolver nos adultos o gosto pelo saber ao mesmo tempo mostrar quão importante é a experiência da vida na valorização de uma cultura de aprendizagem – o Sr. Manuel Costa Pereira com o 4º ano de escolaridade apresenta um percurso de vida orientado para diferentes áreas da cultura, em especial no âmbito do património cultural; para além da sua profissão como cobrador dos Serviços Municipais, colaborou e colabora em diversos jornais e revistas, tendo artigos publicados e participando com diversas entidades na realização de actividades culturais É uma figura incontornável na cultura de Barroselas.

Durante a sessão o convidado mostrou que o convívio com histórias de vida marcou o seu percurso e as suas escolhas, referindo sempre o seu interesse pela leitura e pela aprendizagem. Incentivou o público na procura do saber, dizendo que a instrução é fundamental na formação da pessoa. Este testemunho foi recebido com entusiasmo e admiração pelo público e manifestou-se como uma referência de vida, principalmente para aqueles que estão à espera de ver reconhecidas as suas competências.

Por estas razões, a actividade constituiu um momento positivo e fecundo por ter permitido a reorganização das experiências de cada um, pelo que se considera ter correspondido às expectativas.

As coordenadoras Céu Costa e Sofia Maciel, manifestam ainda agradecimentos à coordenadora do Centro Novas Oportunidades, ao Grupo disciplinar de História e a toda a comunidade que se juntou a Verso e Universo no dia 23 de Março de 2009.

sexta-feira, abril 24, 2009

O questionamento do mundo no cinema.

No dia 27 de Abril dá-se continuidade ao projecto O questionamento do mundo no cinema com a exibição do filme Billy Elliot de Stephen Daldry
No Auditório Carolino Ramos às 13.30 h.

Billy Elliot traz para os cinemas charme e humor do cinema inglês

A vida do garoto de onze anos Billy Elliot (Jamie Bell), filho de um mineiro de carvão do norte da Inglaterra, muda para sempre quando ele tropeça em uma aula de ballet durante sua lição semanal de boxe.Em pouco tempo ele encontra-se imerso na dança, demonstrando seu talento nas aulas de Mrs. Wilkinson (Julie Walters). Com uma língua cáustica e um cigarro constantemente acesso nas mãos, seu entusiasmo pelo ensino de ballet renasce ao ver o potencial de Billy...

Ficha Técnica
BILLY ELLIOT
Título Original:
Billy Elliot
País de Origem: Reino Unido/ França~
Ano: 2000
Duração: 110 min
Director: Stephen Daldry
Elenco: Julie Walters, Jamie Bell, Jamie Draven, Gary Lewis, Jean Heywood, Stuart Wells, Mike Elliot
Organização 410 filosofia
Coordenação: Pedro Pinho e Domingos Correia

domingo, fevereiro 15, 2009

No Centenário de Claude Lévi-Strauss

Projecto Verso e Universo

Comemoração do 1º centenário do nascimento de C. Lévi-Strauss


Biografia Claude Lévi-Strauss

Um dos grandes pensadores do século 20, Lévi-Strauss tornou-se conhecido em França onde os seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.

De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia a sua verdadeira paixão. No Brasil leccionou sociologia na Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central. É o registo dessas viagens, publicado no livro Tristes Trópicos (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra conta como a sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.

Exilado nos Estados Unidos durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), foi professor nesse país nos 50. Em França, continuou a sua carreira académica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre, e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.

Lévi-Strauss jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. A sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda a parte surgiu nas viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de indígenas das Américas do Sul e Norte. Passou mais de metade da sua vida a estudar o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. “Estruturalismo”, diz Lévi-Strauss, “é a procura por harmonias inovadoras”.

As suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas linguísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objectos, etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Na obra O pensamento selvagem, diz que a língua é uma razão que tem as suas razões – e estas são desconhecidas pelo ser humano.

Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integra também muitas academias científicas, em especial europeias e norte-americanas.

Em 2005, aos 97 anos, recebeu o 17º Prémio Internacional Catalunha, em Espanha. Na ocasião declarou: “Fico emocionado, porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prémios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. O meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele – isso é algo que sempre deveríamos ter presente.”

Actualmente mora em Paris.

Em Novembro de 2008, completou cem anos de vida.

Pensamento

O trabalho de Lévi-Strauss, pelo seu método e pelos objectos que escolheu, foi importante em Filosofia e Antropologia; nesta área forneceu os instrumentos teóricos para se utilizarem no terreno.

Lévi-Strauss quis compreender o espírito humano, compreender o homem no seu contexto natural (relação com a natureza), contexto social (relação com os outros) e no contexto das estruturas inconscientes do psiquismo (na relação consigo próprio e com o outro).

O inconsciente é o lugar onde se superam as antinomias, é o fundamento do pensamento simbólico, e manifesta-se pela função simbólica. O inconsciente aplica leis estruturais a elementos articulados, vindos da bioquímica, orgânicos, psíquicos e do social. Para Lévi-Strauss o inconsciente não é o refúgio das particularidades individuais, o depositário de uma história única, antes assume uma função simbólica, especificamente humana, que se exerce em todos os homens segundo as mesmas leis, e estas estão sempre fora de apreensões subjectivas, sendo o inconsciente que torna possível a comunicação.

Lévi-Strauss mostra que ao nível dos dados observados existe uma lógica de organização, por vezes inconscinte, uma capacidade de organizar e classificar.

Na sua obra encontra-se uma das críticas mais radicais ao racismo e etnocentrismo, (atitudes próprias das culturas ocidentais), expressa na abordagem que faz do pensamento dos povos agrafos; na não distinção dos princípios subjacentes às atitudes mais naturais e originárias e no reconhecimento dos valores e dos costumes de diferentes povos e culturas. Na primeira obra dedica-se ao estudo das relaçõe entre diversos sistemas de parentesco através da análise estrutural nomeadamente as relações de parentesco, onde demonstra a eficácia do seu método estrutural. As relações de parentesco representam a base primitiva da sociedade tal como os fenómenos da linguagem dispõe das mesmas possibilidades de análise científica, com importância fundamental para a proibição do incesto, regra que marca a passagem da natureza à cultura.

Neste estudo interessa-se não tanto por aquilo que fazem as pessoas, mas por aquilo em que elas acreditam; tanto se interessa pelos aspectos regrados da vida social como por aqueles que manifestam uma certa espontaniedade. Para ele «há na sociedade, na cultura, certos modos de pensar que dependem de mecanismos essenciais da actividade humana».

Lévi-Strauss interessa-se sobretudo por compreender a dinâmica do espírito humano, mostrando através da análise de mitos, costumes, tradições, que por detrás de qualquer comportamento colectivo existe uma lógica cujos princípios encontram fundamento na actividade inconsciente do espírito. Ensina-nos a pensar diferentes modos de relação e de organização social.

Foi influenciado por Freud (Psicanálise), Marx (a análise da sociedade), Jakobson, Saussure (linguística estrutural). Com Freud aprendeu que «mesmo os fenómenos na aparência mais ilógicos podiam ser justificados pela análie racional». Em Marx encontrou a ideia fundamental e que não se pode compreender a cabeça dos homens sem a relacionar com as condições da sua existência prática.

A Franz Boas mestre em antropologia americana deve certas ideias fundamentais, pois Boas foi um dos primeros a dizer que «as leis da linguagem funcionam ao nível do incosciente, para lá do controlo dos sujeitos falantes».

Do Surrealismo ficou seduzido com a temática do irracional.

Por outro lado, afirma-se como um Kantiano vulgar e um estruturalista de nascimento.

Foi ainda buscar à linguística os princípios do seu método: - «nos sistemas estudados pelos etnólogos como em linguística, os elementos constitutivos não têm significação intrínseca: o seu sentido é de posição» e «os termos nunca têm significação intrínseca. A sua significação é de posição, por um lado, em função da história e do contexto cultural e, por outro, da estrutura do sistema em que são chamados a figurar, a significação é determinada por relações lógicas».

Método estrutural

Aplicado às relações de parentesco. O sistema de parentesco é equivalente ao sistema da língua. Ambos são linguagem, um sistema simbólico e um facto social total, através de um sistema de denominações (mãe, pai, filho) e de um sistema de atitudes.

Influência

A influência de uma obra e de um pensamento mede-se pelas investigações que estimula; pelos trabalhos que suscita; pelos ideais que nascem; pela riqueza das reacções que provoca e pelas carreiras que determina.

A recepção é universal e durável.

Em França, criou uma grande parte das instituições que ainda hoje dão vida à antropologia, exercendo uma influência muito grande nas carreiras de três gerações de antropólogos. Na época, as teses do Pensamento Selvagem e Antropologia Estrutural dominavam o mundo intelectual e muita gente marcou a sua posição em relação a Lévi-Strauss.

Em Inglaterra, a sua influência foi particularmente sensível. Edmund Leach, entre outros, oscilou entre a fascinação e a reticência.

Nos Estados Unidos os antropólogos ficaram mais distantes.

Em Espanha e Portugal, as circunstâncias políticas fazem com que a obra de Lévi-Strauss tenha sido acolhida de abraços abertos. Foi acolhido como o representante de uma modernidade que se esperava há muito tempo.

O Brasil, foi onde realizou trabalho de campo nomeadamente na Amazónia e Mato Grosso junto das tribos Bororo, Caduveo e Nambikwara.

Nestes últimos anos os seus livros foram traduzidos e editados na China.

Houve ainda uma forma de recepção menos visível mas fundamental, Lévi-Strauss conheceu o sucesso popular, nomeadamente com a sua obra Tristes Trópicos.

O antropólogo é o astrónomo das ciências sociais: ele está encarregado de descobrir um sentido para as configurações muito diferentes, por sua ordem de grandeza e seu afastamento, das que estão imediatamente próximas do observador.”

Antropologia estrutural, 1967


Comemoração na Escola Secundária de Monserrate


O projecto Verso e Universo e o Grupo de Filosofia dedicaram o dia 28 de Novembro de 2008 à comemoração do 1º centenário do nascimento de Claude Lévi-Straus.



Quisemos homenagear Lévi-Strauss e ao mesmo tempo dar a conhecer a alguns, porventura, e lembrar a outros a vida e obra do pensador que fez cem anos, o que por si só já é admirável, mais ainda se o reconhecermos como talvez o antropólogo mais eminente da segunda metade do séc. XX, na compreensão do que é comum a todos os homens e a todas as culturas: a relação e a organização social do Homem.


Esta homenagem desenvolveu-se ao longo do dia em diferentes momentos: exposição na Biblioteca das prinicipais obras do autor, afixação de uma original biografia de Lévi-Strauss, exposta na escola no percurso do átrio de entrada até à Biblioteca e às 20.30h na Biblioteca, uma conversa sobre Lévi-Strauss, orientada pela professora Sofia Maciel e especialmente dirigida aos alunos do Ensino Recorrente, RVC e curso EFA - Novas Oportunidades.

A conversa sobre a vida e obra de Lévi-Strauss permitiu o conhecimento aos alunos de um pensador que tem como principal objectivo o conhecimento do homem no sentido mais profundo: na relação consigo próprio e com o mundo natural e social. Aos professores interessou, particularmente, a partilha e o desenvolvimento do discurso em torno da Filosofia e da Linguagem. Os alunos do curso EFA, mais uma vez se aperceberam da importância de uma experiência de vida e de um pensamento que se caracteriza essencialmente pela luta contra atitudes discriminatórias e xenófobas, e se manifesta a favor do diálogo intercultural. Notou-se ainda o reconhecimento, por parte dos participantes, da Lógica subjacente à experiência concreta do dia-a-dia expressa no pensamento do filósofo. Constataram que as coisas simples da vida se revestem de uma organização lógica idêntica àquela que subjaz à complexidade da ciência.



Cabe ainda dizer que o público envolveu-se de forma activa durante a comemoração, demonstrando interesse e prazer em ouvir falar sobre este grande pensador, participando com perguntas e comentários.

terça-feira, janeiro 27, 2009

O questionamento do mundo no cinema

No dia 30 de Janeiro inicia-se o projecto "O questionamento do mundo no cinema" com a exibição do filme Paranoid Park de Gus Van Sant.
No Auditório Carolino Ramos às 17h00

*****
Um jovem de 16 anos decide ir sozinho a um parque que é o paraíso dos skatistas, onde se envolve numa confusão.

Ficha Técnica
Título Original: Paranoid Park
Género: Drama
Tempo de Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: www.paranoidpark.co.uk
Estúdio: MK2 Productions
Distribuição: IFC Films / Imovision
Direção: Gus Van Sant
Roteiro: Gus Van Sant, baseado em livro de Blake Nelson
Produção: David Allen Cress, Charles Gilibert, Nathanaël Karmitz e Neil Kopp
Fotografia: Kathy Li e Christopher Doyle
Direção de Arte: John Pearson-Denning
Figurino: Chapin Simpson
Edição: Gus Van Sant

Organização 410 Filosofia
Coordenação: Pedro Pinho e Domingos Correia

segunda-feira, novembro 24, 2008

Dia da Filosofia na ESM

Dia Internacional da Filosofia
Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008


O dia foi este ano assinalado na Escola Secundária de Monserrate com uma instalação em todo o espaço escolar:






O vídeo com a síntese das actividades do Laboratório de Filosofia no ano lectivo de 2007-2008 pode ser obtido aqui.

segunda-feira, junho 09, 2008

Portugal de Alexandre O'Neil

Na véspera de mais um 10 de Junho...


Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três silabas
de plástico, que era mais barato!


Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
nâo há «papo-de-anjo» que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.


Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...


Alexandre O'Neil

sexta-feira, maio 02, 2008

1 de Maio

Maio é um tempo que me encanta.
Recordações de infância me chegam com este mês e até os cheiros vividos em criança me voltam de novo. Mas outras notícias me atormentam e me apelam a expressar os afectos. Deixarei, todavia, para depois.
Gostaria de falar um pouco desse tempo de outrora.
Hoje fui tocado pelo título de um jornal e quero falar das mulheres que eu conheci na terra da minha infância e juventude.
A imagem e o título – ver imagem – fizeram-me lembrar as mulheres de outrora da minha terra que se desdobravam em tarefas, carregando à cabeça tudo quanto era possível transportar de casa para os campos e dos campos para casa; de casa para as feiras e das feiras para casa; de casa para qualquer sítio e de qualquer sítio para um sítio qualquer.
E veio-me à memória a minha mãe.
Minha mãe era uma dessas mulheres, uma das mulheres-formiga que dos campos tudo traziam em cestos transportados à cabeça, carregando-se sozinhas por artes inimagináveis. Mulheres capazes de transportar o mundo, mais tenazes do que Atlas, e que somente a idade as curvava.
Essas mulheres eram um sério suporte da economia doméstica e, gemendo, traziam a mais-valia ao pouco rendimento que o agregado familiar obtinha. Um homem ponderado deveria casar com uma mulher que assim se mostrasse porque era garantia de sucesso familiar.
Hoje, as mulheres da minha terra já não carregam assim.
Ainda bem. Mas tenho alguma dificuldade em perceber se ainda existem mulheres-formiga.