terça-feira, janeiro 30, 2007

Dois textos de Clara Pinto Correia

Dois textos de Clara Pinto Correia disponíveis na página do grupo, na secção "O que se diz...". Estes textos foram publicados no diário 24 horas em 1 e 2 de Novembro de 2006 e transcritos pela professora Isabel Calvet.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Convite



Debate/colóquio sobre a IVG

Decorreu no dia 24 de Janeiro um colóquio subordinado ao tema da Interrupção Voluntária da Gravidez, seguido de um debate. Esta iniciativa que mobilizou quatro turmas da Escola Secundária de Monserrate foi coordenada e dinamizada pelo professor Pedro Pinho, do grupo 410 desta escola.



A professora Sofia Maciel iniciando a sessão


O professor Pedro Pinho no início do debate



Intervenções dos alunos


segunda-feira, janeiro 22, 2007

Convite



quinta-feira, janeiro 11, 2007

Saramago, C. Rollason e Farol

Em Novembro passado estive em Lisboa para assistir à apresentação do livro sobre Saramago In Dialogue with Saramago: Essays in Comparative Literature, edited by Adriana Alves de Paula Martins e Mark Sabine, acontecimento que teve lugar na Fundação Luso-Americana.
Foi uma oportunidade para reencontrar Christopher Rollason, colaborador da revista Farol durante vários números e que alguns colegas conhecem de um encontro que aconteceu em Viana, e, naturalmente, José Saramago, com quem tive o ensejo de falar da mesma revista, uma vez que publicámos o texto da sua intervenção em Porto Alegre em 2002, no FSM (Fórum Social Mundial).
Farol era um espaço de escrita para os alunos, professores e funcionários, aberta ainda à colaboração externa, e nela se inseriram colaborações vindas de vários pontos do globo, nomeadamente de França, de Inglaterra, dos Estados Unidos, de Espanha, do Brasil, da Suécia, de Timor e foi produzida no tempo em que, pela componente não-lectiva, se deixava espaço para a criatividade e formação.
Provavelmente encontrarão os números editados na Biblioteca da nossa escola; todavia, fica o endereço para poderem ler o Editorial da última edição (nº 15) e assim conhecerem melhor a vida de Farol.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

O Fim da Filosofia

Nas suas ‘Illuminations’, em "uma ma­nhã de bebedeira", Rimbaud anuncia a chegada do tempo dos assassi­nos ("voici le tempos des assas­sins"). A proclamação resulta de uma detecção do espírito dos tempos, acordados na res­saca do excesso de Véspera. Mas este tempo chegou ao en­sino da filosofia em Portugal que pretende torná-la uma me­ra opção, portanto sem o vín­culo de obrigatoriedade a que estão sujeitos os futuros estu­dantes de ciências humanas, incluindo, claro está, também, os juristas. Esta medida, que em Portugal corre sempre ofi­ciosamente no silêncio dos cor­redores do poder, pode subita­mente transformar-se em rea­lidade. A aposta na técnica e na indústria é um programa do governo de Sócrates. Nada há a opor ao desenvolvimento técnico-industrial. Mas o que nos caracteriza a nós como hu­manos implica uma redução e circunscrição ao instrumen­tal, ao equipamento, ao apetre­cho e à ferramenta, por mais sofisticados que sejam? E um tal programa tem como conse­quência ferir de morte o con­tacto que os nossos jovens po­dem ter com os textos de filo­sofia. Pensar não se reduz a calcular, muito menos se os cortes financeiros a que todos estamos sujeitos em nome da extirpação da crise, implicar uma crise de identidade fun­da. A filosofia é um aconteci­mento universal de aproxima­ção ao humano nas suas verda­des essenciais, mas simulta­neamente confronta-nos con­nosco no que de mais fundo so­mos. A transformação da Eu­ropa e do Mundo Ocidental nu­ma domesticação global terá consequências devastadoras. As primeiras começam a sen­tir-se já na Europa. Mas o que será a Inglaterra sem o Aristó­teles de Oxford e a filosofia analítica, a França sem Des­cartes e Pascal e a Alemanha sem Kant ou o idealismo ale­mão. O estudo da filosofia em Portugal será mortalmente fe­rido, pela lógica intrínseca a que as universidades de ciên­cias humanas estão obrigadas: formar alunos para o mundo do trabalho. É óbvio que faz todo o sentido, primariamen­te. Mas sem filosofia no ensino secundário, basicamente a saí­da profissional para os estu­dantes de filosofia a nível supe­rior, também as faculdades de filosofia das diversas universi­dades do país ficarão feridas de morte. Poderá isto aconte­cer no meu país? É este o tem­po dos assassinos?

António de Castro Caeiro in “Expresso” de 6 de Janeiro de 2007

sábado, janeiro 06, 2007

Um Filósofo na Administração

Mário Bettencourt Resendes
Jornalista



Há boas notícias, vindas do outro lado do Atlântico, para quem consagrou os seus anos universitários ao estudo e aprofundamento de disciplinas hoje consideradas como de "difícil saída profissional".
Trata-se, concretamente, do caso de algumas empresas norte-americanas, que decidiram recrutar, para os seus conselhos de administração, quadros com formação superior em Filosofia. E admitem também alargar o processo com o recurso a historiadores ou sociólogos.
A explicação tem a ver com o facto de, mergulhados em cash flow, EBITDA, tableau de bord, downsizing e outros indicadores ou acções similares, os gestores perderem, com frequência, o contacto com o mundo real, com as necessidades das pessoas, perderem mesmo, em algumas circunstâncias, a capacidade de arquitectarem uma visão e um pensamento global sobre o meio em que se movem.
A combinação de saberes diferenciados, a nível da decisão de topo, terá, segundo os precursores da iniciativa, vantagens em matéria de análise crítica, de conhecimento dos mercados e de programação a prazo.
Os cépticos do costume poderão reagir com um simples encolher de ombros e profetizar que tudo isto não passa de uma "americanada", a ser em breve esquecida e substituída por outra novidade, produto do delírio criativo de um qualquer "iluminado". E é verdade que haverá, no mínimo, que esperar para ver se os resultados da gestão empresarial retirarão benefícios reais deste recrutamento invulgar.
A História está repleta de considerações díspares acerca da disciplina do pensamento, desde, por exemplo, São Paulo, na Epístola aos Colossenses ("Cuidado, não vos apanhem com a filosofia, essa quimérica negaça"), ou Shakespeare, pela voz de Hamlet ("Há mais coisas no céu e na terra, Horácio, do que a vossa filosofia pode supor"), até Descartes ("Viver sem filosofar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir") ou Nietzsche ("O esforço dos filósofos tende a compreender o que os contemporâneos se contentam em viver.") De qualquer forma, quem teve o privilégio de se encontrar com a Filosofia através da mediação de um professor inspirado sabe bem o que ganhou em "sabedoria" e "compreensão".
Impressiona, portanto, a decisão do Ministério da Educação de acabar com o exame nacional na disciplina, obrigando as universidades com licenciaturas em Filosofia à decisão surrealista de seleccionar outra matéria para a prova específica de acesso ao curso.
A liberalização do ensino superior ocorrida nas últimas décadas, no que respeita à oferta e ao acesso, não originou, como se sabe, um aumento da qualidade média do ensino prestado ou da formação dos jovens licenciados. As razões são conhecidas, estão suficientemente dissecadas e não cabem no âmbito deste artigo. E também se conhece o drama da legião de desempregados - ou "mal empregados"... - que convivem com a amargura do sentimento de inutilidade dos anos de estudo específico.
Não se percebe é como a desvalorização da Filosofia poderá contribuir para corrigir estes desequilíbrios. Ignorantes sobre a História da "sabedoria", mais mal treinados para pensar e para compreender um mundo com contornos cada vez mais complexos, os jovens do futuro estarão, obviamente, bem mais desarmados perante a vida.

Diário de Notícias, 04/01/2007
(texto recolhido pela M.Conceição Barros)