domingo, dezembro 10, 2006

16.12.2006 - António Lobo Antunes em Viana do Castelo

Numa organização do Centro Cultural do Alto Minho, o escritor António Lobo Antunes estará em Viana do Castelo, no próximo dia 16 de Dezembro, Sábado pelas 16h00, no Auditório do Museu Municipal. Falar-se-á do seu último romance “Ontem não te vi em Babilónia”, mas também de outros temas que surgirão no diálogo do escritor com o seu público, como é habitual nas nossas Tertúlias Literárias.
Embora desejando ser escritor desde a sua adolescência, António Lobo Antunes, formou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria por considerar ser a que mais se aproximava da literatura.
Em 21 obras publicadas, as primeiras são temáticas relacionadas com a Guerra Colonial (foi Tenente médico em Angola, tornando-se amigo de Melo Antunes) onde viveu experiências traumáticas de morte e solidão.
Daí o seu êxito na América no rescaldo do Vietname.
Tem sido considerado um escritor polémico, controverso e pretensioso que diz coisas como: “a maior parte dos escritores não sabe escrever e a maior parte dos críticos não sabe ler” e que a função destes devia ser ajudar as pessoas a ler; ou quando considerou os livros de Agustina Bessa-Luis e Vergilio Ferreira “terrivelmente chatos” e se diz farto de “Faulkners do Minho e Sartres de Fontanelas e, ainda por cima maus. Mais tarde, no entanto, reconhecerá que Vergílio Ferreira tem livros muito bons. Ou ainda, quando diz: “quis ser o melhor, sou o melhor”, talvez estas suas palavras possam ter um leitura não rigidamente literal, mais flexível, que nos remeta para um outro sentido, já que em recente entrevista afirma “Tolstoi é o melhor, Tchekov é o melhor, Conrad é o melhor...) Ou referindo-se ao povo português “Nós somos feios, pequenos, estúpidos, mas eu gosto disto, gosto desta terra”.
Um escritor polémico, controverso, narcisista? Talvez um homem profundamente sensível, tímido, carenciado e desejoso de afecto, concerteza.
António Lobo Antunes é exigente com os outros mas sobretudo consigo próprio. Os seus livros constituem uma busca constante de perfeição e equilíbrio que considera estarem a ser alcançados, bem como o seu desejo mais intimo: o de ser único e deixar uma marca intensa na literatura. Indubitavelmente a crítica, há muito, deu-se conta do seu valor, é muitíssimo traduzido e amplamente premiado em Portugal e no estrangeiro.
O escritor sabe que as grandes obras são raras. Começa a sentir que seus os objectivos estão alcançados por isso é sem dramatismo que encara o facto de não escrever durante muito mais tempo, mais dois ou três livros: “...dizem que eu trouxe qualquer coisa de único, começo a sentir que é verdade e isso não é prolongável por muito tempo...”
Para si escrever é uma forma de exorcizar o fantasma da depressão, estruturar o delírio, numa busca constante de equilíbrio. Cada livro seu é escrito para “corrigir” os anteriores, na procura de uma maneira muito pessoal de dizer as coisas e sobretudo na tentativa de concretizar o sonho de qualquer escritor, o de ser amado por toda a gente.
Questionado, recentemente, sobre as mudanças de estrutura dos seus últimos livros e sobre a forma como as ideias lhe surgem, António Lobo Antunes diz ter deixado de fazer planos e que a dada altura do seu trabalho há como que uma voz que lhe dita o que escrever. Assim, começou “Ontem não te vi em Babilónia” só com uma ideia: como é que a noite se transforma em madrugada.
Um livro a não perder onde as diversas personagens, entre a meia-noite e as cinco da manhã, vão falando com o autor...

Fernando Canedo
(Direcção do Centro Cultural do Alto Minho)