Comemorar o 25 de Abril
Há dias que contam positivo no calendário de um povo e de um Estado.
Um desses dias é o 25 de Abril, hoje apenas uma comemoração de cravo à lapela que fica bem e ainda por cima é vermelho, lembrando, sangue, garra, revolução, devir. Não raras vezes as datas comemorativas são olhadas com desconfiança pelas novas gerações e com nostalgia pelas mais antigas. À parte as diferenças de valores geracionais, não há dúvida que o 25 de Abril fez cair um regime político, definiu um Estado de Direito em Portugal e descolonizou de forma errada os Povos que durante séculos, nós, os portugueses, escravizamos e miscigeneramos, dando assim lugar quer a crimes horríveis da nossa história quer a países como o Brasil que se ergueu para além do seu descobridor/colonizador em gente, cultura, língua, poesia e música.
A cultura artística de um povo à semelhança da sua cultura política e cívica deve, muitas vezes, a revoluções a evolução. Do 25 de Abril contam-se o papel das elites culturais e artísticas que, por via do seu intelectualismo se exilaram ou não e o dos capitães militares que, cumprindo um arranjo arquitectado por uma chefia de homens, puseram fim a uma ideologia pequenina, de cuja imagem temos ‘Portugal dos Pequeninos’, feita de novenas e perdões encomendados a Nossa Senhora, padroeira de Portugal.
Mesmo depois do declínio da ideologia pequenina mas perigosa quanto baste, prevalece a opinião de que se perdeu um grande estadista cuja maior ambição era fazer de todos os portugueses seres à imagem e semelhança dele Próprio: humilde, poupado, bom contabilista em assuntos domésticos, longe dos pecados da gula e da luxúria, instrumento de uma vontade maior, capaz de aceitar os sacrifícios e as misérias com piedade e graças, esperadas no além. O significado deste fantasma e seus valores já não é unívoco, mas duplo e contraditório. Notam-se desejos de apagamento da história e desejos de correcção da história. A conjuntura política, económica e social actual, limita o rasgo e a reflexão. Vivemos isto ainda como um conflito pessoal. É tempo de derrubar os limites estreitos dos hábitos correntes e ampliar a responsabilidade geral. Dar lugar às saudades dos de Santa Comba Dão e construir um futuro melhor, mesmo que partindo de um passado recente pouco revolucionário. É tempo de contar a História com factos e análises, evitar os extremos e os medos. Colher testemunhos, dizer do sofrimento, fazer história das ‘estórias’, escrever memórias, dar a conhecer a arquitectura do tempo vivido. Ir mais longe, tão longe quanto for possível o impossível.
Comemorar com flores, cravos, que sejam, uma revolução é didáctico, qualitativo. E pode chegar a todos, sem ficar dependente das diferenças de educação cultural que estes 33 anos de comemorações ainda não mudaram e nos atrasam a vida a Todos.
Um desses dias é o 25 de Abril, hoje apenas uma comemoração de cravo à lapela que fica bem e ainda por cima é vermelho, lembrando, sangue, garra, revolução, devir. Não raras vezes as datas comemorativas são olhadas com desconfiança pelas novas gerações e com nostalgia pelas mais antigas. À parte as diferenças de valores geracionais, não há dúvida que o 25 de Abril fez cair um regime político, definiu um Estado de Direito em Portugal e descolonizou de forma errada os Povos que durante séculos, nós, os portugueses, escravizamos e miscigeneramos, dando assim lugar quer a crimes horríveis da nossa história quer a países como o Brasil que se ergueu para além do seu descobridor/colonizador em gente, cultura, língua, poesia e música.
A cultura artística de um povo à semelhança da sua cultura política e cívica deve, muitas vezes, a revoluções a evolução. Do 25 de Abril contam-se o papel das elites culturais e artísticas que, por via do seu intelectualismo se exilaram ou não e o dos capitães militares que, cumprindo um arranjo arquitectado por uma chefia de homens, puseram fim a uma ideologia pequenina, de cuja imagem temos ‘Portugal dos Pequeninos’, feita de novenas e perdões encomendados a Nossa Senhora, padroeira de Portugal.
Mesmo depois do declínio da ideologia pequenina mas perigosa quanto baste, prevalece a opinião de que se perdeu um grande estadista cuja maior ambição era fazer de todos os portugueses seres à imagem e semelhança dele Próprio: humilde, poupado, bom contabilista em assuntos domésticos, longe dos pecados da gula e da luxúria, instrumento de uma vontade maior, capaz de aceitar os sacrifícios e as misérias com piedade e graças, esperadas no além. O significado deste fantasma e seus valores já não é unívoco, mas duplo e contraditório. Notam-se desejos de apagamento da história e desejos de correcção da história. A conjuntura política, económica e social actual, limita o rasgo e a reflexão. Vivemos isto ainda como um conflito pessoal. É tempo de derrubar os limites estreitos dos hábitos correntes e ampliar a responsabilidade geral. Dar lugar às saudades dos de Santa Comba Dão e construir um futuro melhor, mesmo que partindo de um passado recente pouco revolucionário. É tempo de contar a História com factos e análises, evitar os extremos e os medos. Colher testemunhos, dizer do sofrimento, fazer história das ‘estórias’, escrever memórias, dar a conhecer a arquitectura do tempo vivido. Ir mais longe, tão longe quanto for possível o impossível.
Comemorar com flores, cravos, que sejam, uma revolução é didáctico, qualitativo. E pode chegar a todos, sem ficar dependente das diferenças de educação cultural que estes 33 anos de comemorações ainda não mudaram e nos atrasam a vida a Todos.

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