Irlanda 6
Já deu para perceber que regressei ao meu sítio… Afinal a gente também tem raízes.

Como disse anteriormente, era meu desejo ir a Belfast porque tinha curiosidade de ver pessoalmente o espaço onde acontecia a luta entre republicanos e unionistas, na Irlanda do Norte, pretendendo constatar se, de facto, as coisas seriam como eu as fui criando através da informação que recebi por todos estes anos e se hoje em dia se caminhava no sentido da paz.
De Dublin a Belfast faz-se bem a viagem.
Belfast é um pouco diferente de Dublin; mais britânica, de ruas mais abertas e até o clima nos pareceu melhor, mas isso deveu-se mais ao momento em que lá estivemos, de bastante sol. Mas tem-se uma sensação estranha porque sabendo que a Irlanda do Norte é território britânico, (o que é reforçado pelas mensagens no telemóvel: - Bem-vindo o Reino Unido…), frequentemente nos deparámos com a bandeira tricolor da República da Irlanda a flutuar em vários locais, embora a britânica estivesse hasteada nos edifícios oficiais.

Como disse anteriormente, era meu desejo ir a Belfast porque tinha curiosidade de ver pessoalmente o espaço onde acontecia a luta entre republicanos e unionistas, na Irlanda do Norte, pretendendo constatar se, de facto, as coisas seriam como eu as fui criando através da informação que recebi por todos estes anos e se hoje em dia se caminhava no sentido da paz.
De Dublin a Belfast faz-se bem a viagem.
Belfast é um pouco diferente de Dublin; mais britânica, de ruas mais abertas e até o clima nos pareceu melhor, mas isso deveu-se mais ao momento em que lá estivemos, de bastante sol. Mas tem-se uma sensação estranha porque sabendo que a Irlanda do Norte é território britânico, (o que é reforçado pelas mensagens no telemóvel: - Bem-vindo o Reino Unido…), frequentemente nos deparámos com a bandeira tricolor da República da Irlanda a flutuar em vários locais, embora a britânica estivesse hasteada nos edifícios oficiais.

A ideia da república emerge em cada esquina e a sede do Sinn Fein exibe a mesma bandeira.
Sabíamos que era possível fazer um tour pelos bairros católico e protestante, conhecer de perto a história das lutas e ver os locais marcados pela violência. Há táxis que fazem esse serviço.
Depois de passarmos pelo Turismo para recolhermos a informação necessária para obter tal serviço, caminhámos um pouco pela cidade e fomos ao local onde os táxis se encontram aparcados.
Dirigimo-nos ao primeiro deles mas o responsável informou-nos que embora fizesse tal serviço, agora estava impedido porque teria que transportar pessoas que aparecessem para certo local; uma espécie de transporte colectivo que recolhe quem pretender ir para determinado destino, sendo a despesa paga entre todos.
Vi serviço assim em Cuba, (Havana), e confesso que pensava ser único.
Seja como for, simpaticamente o motorista telefonou a um colega e ficámos a aguardar que chegasse.
Entrámos na viatura e pouco depois parámos; solicitou-nos que saíssemos e começou a explicar que naquele edifício, até há três anos atrás, se aquartelavam tropas britânicas e que, mesmo em frente e por ali próximo, os unionistas haviam assassinado impunemente, inclusive um colega dele que tranquilamente conduzia. Apontou-nos o bairro protestante e o muro que divide as duas facções.
Prosseguimos e deparámo-nos com os murais.
Nos murais, os católicos e independentistas, procuram representar a sua luta aproximando-a com outras lutas existentes no mundo. Deixo aqui algumas imagens.

Depois de passarmos pelo Turismo para recolhermos a informação necessária para obter tal serviço, caminhámos um pouco pela cidade e fomos ao local onde os táxis se encontram aparcados.
Dirigimo-nos ao primeiro deles mas o responsável informou-nos que embora fizesse tal serviço, agora estava impedido porque teria que transportar pessoas que aparecessem para certo local; uma espécie de transporte colectivo que recolhe quem pretender ir para determinado destino, sendo a despesa paga entre todos.
Vi serviço assim em Cuba, (Havana), e confesso que pensava ser único.
Seja como for, simpaticamente o motorista telefonou a um colega e ficámos a aguardar que chegasse.
Entrámos na viatura e pouco depois parámos; solicitou-nos que saíssemos e começou a explicar que naquele edifício, até há três anos atrás, se aquartelavam tropas britânicas e que, mesmo em frente e por ali próximo, os unionistas haviam assassinado impunemente, inclusive um colega dele que tranquilamente conduzia. Apontou-nos o bairro protestante e o muro que divide as duas facções.
Prosseguimos e deparámo-nos com os murais.
Nos murais, os católicos e independentistas, procuram representar a sua luta aproximando-a com outras lutas existentes no mundo. Deixo aqui algumas imagens.

Os que tombaram em defesa da independência da Irlanda do Norte são-nos apresentados como os Mártires e várias são as evocações que encontramos na cidade, como atestam as fotos inseridas, com destaque para Bobby Sands.
A greve de fome culminou na morte para alguns; outros morreram assassinados.

Um outro mural mostra-nos os que foram abatidos pelas balas do exército britânico e o nosso guia tomou um exemplar que nos exibiu e que manuseámos. São balas de plástico rígido, cilíndricas, com cerca de 15 cm de comprimento.

E continuou explicando e mostrando imagens, buracos de balas, locais que evocam lutas; até que chegámos ao cemitério dos católicos, de grande extensão, atravessado por ruas alcatroadas e que percorremos no táxi até ficarmos próximos da ala consagrada aos mártires da independência.
É uma ala com cerca de 20 metros, com placas tumulares de um lado e do outro e no extremo com o texto da declaração da independência da Irlanda, proclamada em 1916, que não vingou mas que deu lugar a um processo moroso e doloroso que culminou em 1922 num novo Estado, cujo território ficou constituído por 26 dos 32 condados, a actual República da Irlanda, constituindo os restantes 6 condados a Irlanda do Norte, submetida à coroa britânica. Por entre o texto surge uma flor branca de lírio que é assumida como símbolo, na medida em que tem as cores da bandeira republicana – verde, laranja e branco – e floresce na Páscoa, que foi o tempo da primeira proclamação da independência.
Ainda eram visíveis as marcas das comemorações deste ano; muitas flores com as cores da República estavam espalhadas pelas diferentes placas tumulares e é curioso notar que no extremo dessa galeria se ergue a bandeira republicana.
E o nosso orientador desfila novos pormenores sobre a luta e sobre assassinatos cometidos durante a realização de funerais. O enterro de mártires fazia surgir novos mártires.

Reflectindo sobre o que vimos e ouvimos, regressámos depois a Dublin, com um propósito para o dia seguinte.
A Irlanda começava a ter outra dimensão. Para nós, já não era apenas paisagem; a tradição e a inovação ganhavam outro sentido. E a União Europeia também se fazia diferente aos nossos olhos.

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