terça-feira, maio 01, 2007

FAROL de novo


Já aqui falei uma vez de FAROL, a revista que existiu na ESM, cuja publicação foi interrompida há alguns anos.
Hoje vou falar do seu criador – o João Vale Ferreira.
O João era estagiário na ESM no ano lectivo de 1979/1980. Aqui iniciou, por assim dizer, a sua carreira de professor e que abandonou há poucos anos por força da aposentação. Por ele passaram, como estagiários, alguns dos meus colegas hoje, professores na ESM.
Por natureza, era um homem entusiasmado. De um entusiasmo transbordante, agregava vontades em torno de projectos que concebia. Entretinha-se com os projectos profissionais como uma criança com brinquedos, pondo e dispondo as peças até surgir a obra.
FAROL assim apareceu. O João foi o principal impulsionador e agregou nessa vontade a Conceição Madruga, de saudosa memória, Albino Ramalho e Reinaldo Topete, (por onde andará o Topete?!...), como fundadores.
O primeiro número surgiu em Maio de 1980, teve uma tiragem de 1.500 exemplares, vendeu-se a 27$50 e assumia-se como Revista da Escola Secundária de Monserrate de Viana do Castelo, ex-Escola Industrial e Comercial. Se existir algum exemplar de FAROL na biblioteca da ESM poderão fazer uma ideia de como era esta publicação e do trabalho que dava; e no tempo em que a componente não-lectiva não era obrigatoriamente marcada nos horários dos professores.
Tão forte era o entusiasmo do João que, apagado FAROL após a sua saída da ESM, mais tarde se reacendeu por vontades agregadas pela Elisabete Cunha, pelo Francisco Vaz e por mim.
Revejo hoje a alegria expressa no brilho dos seus olhos quando lhe entreguei um exemplar do número que o reacendia e evoco as palavras de incentivo e agradecimento por darmos continuidade à sua ideia. Sempre que um novo número aparecia, sentíamos como dever entregar-lhe pessoalmente um exemplar e ele não se cansava de agradecer, de elogiar o trabalho e fazia questão de guardar como se FAROL fosse uma coisa saída da sua alma que nos tinha oferecido.

O Vale Ferreira era um homem entusiasmado. Tinha o espírito de criança e, por isso, não lhe cabia a palavra impossível, mesmo que o perigo pudesse estar por perto. Penso que ele sempre foi futuro.

O João deixou-nos ontem, 29. Em Abril, mês que ele tanto referia.
Fui vê-lo pela última vez. Não, não o vi. Não tive coragem. Aproximei-me o possível que a emoção permitiu.
É difícil ver um amigo quando ele se vai assim; é sempre difícil… O horizonte do meu mundo perdeu uma referência. Agora resta a imagem… O João era…

Disse-lhe adeus com lágrimas.